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Apagão no Brasil não é de Deus

João Varella - 18:21 - 26/01/2015
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    eduardo-bragaO ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga

    ANÁLISE - Embora defenda o direito dos comediantes de ter como limite do humor apenas a própria graça, sou um péssimo piadista. Mesmo assim, o momento parece adequado para uma boa que eu ouvi esses dias.

    Era mais ou menos assim: ao criar o mundo, Deus anunciou que daria ao Brasil florestas a perder de vista, água doce e salgada abundante, com um litoral de tirar o fôlego. Ferro, terra fértil, diversidade climática e geológica, de fauna e flora. Pasmo, um anjo foi tirar satisfação com o Todo Poderoso.

    - Por que tanta coisa para só um povo? Isso é justo?

    - Calma. Os políticos que eu reservei para lá vão compensar - respondeu Deus.

    Depois do apagão, que atingiu 11 Estados e o Distrito Federal na semana passada, o governo expôs seu plano para acabar com a crise energética, diretamente vinculada à crise hídrica: rezar e aproveitar que a nacionalidade da do Onipotente é, supostamente, brasileira. Não dá para levar a sério. É rir para não chorar.

    A frase do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, convocando forças do além para limpar as burradas feitas pelo Planalto já entrou no anedotário político do Brasil. Vai na mesma linha de Edson Lobão, antecessor no cargo, que admitiu não saber nada do setor, mas para compensar prometeu ler bastante.

    Não esqueçamos que Dilma Rousseff também ocupou esse cargo antes de cuidar da Casa Civil pós-mensalão. A ideia de fazer populismo com a conta de luz nos últimos dois anos passou ou veio dela.

    A energia no País é realmente cara em comparação com outros países e em face dos nossos recursos. Porém, não dá para baixar preço na pancada. É preciso atacar os impostos e a falta de infraestrutura, mas aí a ineficiência do Estado trava tudo.

    O governo sofre de obesidade mórbida, mas quem é obrigado a fazer dieta sempre é o povo. Essa discussão é saudável, embora hoje tenha de ser deixada de lado em razão da situação de emergência.

    Porém, a impressão que o governo passa é que não há gestão de crise. Ninguém tem plano B. Querem evitar pedir para a população poupar energia por puro interesso politiqueiro. Idem para os governos estaduais secos - São Paulo em especial.

    Oremos todos.

    *****


    João Varella é editor do El Economista América e repórter da revista IstoÉ Dinheiro. Fundou a editora Lote 42 e o site Trilhos Urbanos. É autor de três livros, sendo o mais recente 42 Haicais e 7 Ilustrações. Escreve semanalmente neste espaço. O presente artigo não reflete necessariamente as opiniões do El Economista América.

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