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Bendine na Petrobras: deixem o homem trabalhar

João Varella - 15:47 - 9/02/2015
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    bendine.jpgO novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine

    ANÁLISE - Os analistas estão sofrendo por antecipação com a nomeação de Aldemir Bendine à presidência da Petrobras. Há pundits que chegam a dar como sua principal virtude ajoelhar e dizer amém para a presidente Dilma Rousseff. Acionistas minoritários que ficam brincando de dar opinião política por meio de transações esqueceram que até pouco tempo atrás estavam lidando com o mesmíssimo Bendine por meio do código BBAS3 da Bovespa.

    Em suma: calma, baixem suas tochas. Tenham compostura, como quando nenhum de vocês cogitou que Jorge Mario Bertoglio seria o novo papa. O dinheiro das apostas para acertar quem seria o presidente da petrolífera ficou com a banca do cassino, paciência.

    Para começar, vejamos, o que a Petrobras precisa agora? De alguém que traga a empresa a uma vida ?normal? de S.A.. O balanço do ano passado devidamente auditado (e respeito a um calendário de balancetes trimestrais) cairia bem. Aquele cafezinho com os credores também vai ser delicioso, seja com açúcar, sem açúcar ou até, pasmem, com adoçante. São as primeiras de uma série de ajustes que deverão ser feitos relacionados às finanças da companhia.

    Bendine, em teoria, domina essa seara. Não tem experiência no ramo petrolífero. Talvez ele nunca tenha nem pisado numa plataforma e isso não importa. Ninguém fez um vestibular com o cara, mas ele dispõe da credencial de ter comandado o Banco do Brasil fazendo o banco lucrar os escandalosos e invejáveis bilhões mais ou menos equivalentes aos privados de mesmo porte (Itaú, Bradesco e amigos). Presta serviços ao sistema bancário há quase quatro décadas.

    Quanto a possível, suposta e futura submissão a Brasília, convém não esquecer que o governo ainda é o sócio majoritário da Petrobras. Portanto, é normal que o Planalto tenha sua farta cota de ingerência na empresa - é quem manda, afinal.

    A alegada prova de que Bendine é um capacho de Dilma Rousseff é da tentativa em 2011 de usar o Banco do Brasil para diminuir spread bancário. Não trouxe lá nenhum resultado duradouro - o balanço anual dos bancos mostra que eles ganham dinheiro como nunca oferecendo os escorchantes juros e taxas de sempre -, mas parecia uma manobra boa à época. Esse tipo de direção é desejável, falta encontrar o modo. O Planalto não segue nessa direção por estar atolado em escândalos e trapalhadas, dando uma impressão de acefalia.

    Aliás, o empréstimo a amiga rica Val Marchiori tem o tamanho de uma pulga para um grupo político passando por uma Lava Jato. A serventia desse empréstimo é dar o eterno aspecto pitoresco popular sempre presente nas malversações do poder público. Só entender por completo a cena política brasileira quem consome revistas de fofoca, mulher pelada e televisão.

    Grave mesmo é a tentativa de segurar o IPCA na marra represando preços como o da gasolina, um vil estímulo ao uso do carro, o produtinho gerador de impostos na mesma toada em que gera congestionamentos e doenças respiratórias. Se for para evitar o efeito cascata, que se dê estímulo ao diesel, muito mais voltado a utilitários. Agora a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) derrubou o preço do barril do petróleo. Legal, que venha o superávit na volta da Cide. Não dá para cumprir a meta de inflação na base de mutretas só para fazer jogo de cena ao mercado, o mundo já sabe desse jeitinho brasileiro amanteigado. Ou seja, não é só para tirar nota boa na prova, o negócio é ser realmente um bom aluno e aprender.

    Manipulações como a que o governo fez por motivos eleitoreiros são o mal da América Latina. A Argentina infelizmente não tem elegância ou gerência e tenta pagar de boa moça da administração pública mascarando números, estratégia vergonhosa para dizer o mínimo.

    O problema é esse vil aparelhamento, da chefia das subsidiárias (indicações de Renan Calheiros, sério?) ao motoboy. O fisiologismo petista é um vício terrível e quem está na cúpula do partidão parece não ter a coragem necessária para romper esse ciclo. Já há quem diga (de novo) que a Lava Jato é uma ficção - forma falida adotada por alguns para desacreditar o Mensalão e suas dezenas de condenados.

    Daqui a pouco vem pau na imprensa e conversas sobre regulamentação da mídia, como se alguém ainda desse bola para jornalistas. Apenas parem com essa cortina de fumaça, há urgências antes na fila dessa demanda.

    Dilma talvez esteja disposta a corrigir o rumo de sua pajelança dos primeiros quatro anos. Bendine e a nova equipe econômica ao menos devem gozar do benefício da dúvida.

    Torçamos pelo melhor.

    *****

    João Varella é editor do El Economista América e repórter da revista IstoÉ Dinheiro. Fundou a editora Lote 42 e o site Trilhos Urbanos. É autor de três livros, sendo o mais recente 42 Haicais e 7 Ilustrações.  Escreve semanalmente neste espaço. O presente artigo não reflete necessariamente as opiniões do El Economista América.

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