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O samba da Lava Jato

João Varella - 22:54 - 19/02/2015
2 comentarios
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    cardozoO ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (foto: Agência Brasil)

    ANÁLISE - O nível do debate no Brasil é costumeiramente rasteiro, mas ainda é possível se surpreender com a nossa impressionante capacidade de não entender o que é ética, democracia e política. O mais novo caso a demonstrar isso é a discussão se o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deveria ou não ter se reunido com os advogados das empresas suspeitas do maior escândalo de desvio de dinheiro da história do País.

    Cardozo é, em última análise, chefe da Polícia Federal, órgão que está reunindo provas na operação Lava Jato (aka Petrolão). Arrepio só de imaginar os termos da conversa desses senhores. Certamente nada que possa ser dito em voz alta em casas de família.

    A reunião não constava na agenda do ministro. Ops. O certo seria gravar em vídeo e divulgar publicamente a íntegra do encontro. Sugeriria também uma vigorosa revista, no melhor estilo visita a presidiário, na entrada e na saída, para evitar o risco desses senhores terem trocado bilhetinhos no aperto de mão.

    Só sendo muito bobo, empregado bem remunerado das empreiteiras ou do partido de situação para acreditar que tiveram uma small talk. Claro, está cheio de gente ensaiando sofismas toscos para defender essa relação promíscua. Papo reto: um esquema de roubo organizado pelo partido do governo é um escândalo que não pode ser minimizado.

    Se deram dinheiro para outros partidos fora da aliança do governo, que se investigue e se puna também, embora seja clara a tentativa de generalizar a corrupção para fazer um acordo. A canalhice chega a píncaros jamais atingidos por essa articulação da turma do deixa disso. É a mesma tática que as empreiteiras estão usando, querem assinar um cheque e deixar tudo para lá.

    Chantageiam com os empregos. Ameaçam derrubar o último indicadores financeiro do Brasil ainda em pé - o restante já beijou a lona. É a velha máxima: se você deve milhões, é problema seu, se vire com essa conta. Se deve bilhões, é problema nosso, somos obrigados a dividir a conta.

    Se já não fosse suficientemente triste tudo isso, o escândalo se encaminha para terminar em samba, diferente da costumeira pizza que estamos acostumados e fartos de comer goela abaixo.

    O responsável por dar a plumagem é o carnaval do Rio de Janeiro, capital simbólica da festa pagã definida pelo calendário cristão. O desfile das escolas de samba é uma conhecida festa milionária mantida por malversações de tamanhos e pesos variados (jogo do bicho, milícia, tráfico, etc.). A campeã deste ano, não podia ser diferente, foi a Beija-flor.

    Tinha de ser essa escola, que recebeu um depósito de R$ 10 milhões, preço suficiente para convencer a agremiação a fazer uma bela homenagem a Guiné Equatorial, país governado por uma ditadura de mão forte há 35 anos.

    Por favor, faça um samba-enredo exaltando Médici, Figueiredo, Geisel e o seu general favorito do nosso próprio período ditatorial. Ficar mascarando preferências fascistas atrás do obscuro Teodoro Obiang é covardia. Ditador nos olhos dos outros é colírio e samba no pé.

    E como isso se encaixa com a Lava Jato? Não perca o plot twist cheio de ziriguidum: a escola de samba e o governo totalitário negam que o dinheiro tenha saído do magérrimo erário de Guiné Equatorial.

    A Beija-flor confessa ter recebido a grana de construtoras brasileiras que têm projetos em Guiné Equatorial. Ou seja, que faturam em cima do governo sujo.

    E quais são as únicas companhias brasileiras capazes em termos financeiros de passear com betoneiras na África? As mesmas representadas pelos advogados que tiveram um téte-a-téte com Cardozo. ?Novas índias, outras realezas?, diz a letra da música cantada por Neguinho da Beija-flor, o mais lamentável samba-enredo de sua carreira.

    *****


    João Varella é editor do El Economista América e repórter da revista IstoÉ Dinheiro. Fundou a editora Lote 42 e o site Trilhos Urbanos. É autor de três livros, sendo o mais recente 42 Haicais e 7 Ilustrações. Escreve semanalmente neste espaço. O presente artigo não reflete necessariamente as opiniões do El Economista América.

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    Comentários 2

    1
    Alex
    20-02-2015 / 05:45
    Puntuación -1   A Favor   En Contra

    Papao reto : o autor do blog , de quem jamais ouvir falar , é um baita mentiroso. Dá-me arrepios pénsar no tipo de relação que ele tem com politcos da direita .

    A mentira : "A reunião não constava na agenda do ministro."

    A verdade : Agenda

    Agenda do Ministro da Justiça e Secretários

    Agenda oficial para o dia 05/02/2015



    Ministro da Justiça-

    Gabinete

    Ministro

    José Eduardo Cardozo

    15:30 Audiência com os senhores Pedro Estevam Serrano, Maurício Roberto Ferro, Dora Cavalcanti e com a participação do Secretário Executivo do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira.

    Pauta: Visita Institucional.

    Local: Gabinete do Ministro.

    Conclusão : a mídia brasileira é isso . Credibilidade nenhuma. Jogam para as massas e acham que todo mundo é idiota . Perto da imprensa americana , a nossa está na Idade das Cavernas da informação.

    Mas vai assim, caro repórter , a recompensa ao final deve ser boa .

    2
    20-02-2015 / 17:37
    Puntuación 0   A Favor   En Contra

    Segundo o Banco Mundial e o ICIJ, aproximadamente, 8 mil brasileiros desviaram para a Suíça o equivalente a 45% do PIB do Brasil no ano de 2007, dados que consideram apenas o montante de dinheiro depositado no HSBC da Suíça.

    "O apoio que o governo espanhol forneceria ao sistema bancário suíço [HSBC] deve ser considerado como um crime contra a humanidade, porque esse sistema empobrecida o povo e enriquecia seus algozes". (MAKT, 2014)

    #MagistraturaBr #SistemaJurídicoBr #EuFaçoOposição


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