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Eike Batista: entenda por que a OGX está derretendo

Maria Carolina De Ré - 18:13 - 3/07/2013
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    petroleo635.jpg - Foto EFE

    A crise na OGX, empresa petrolífera do bilionário Eike Batista, parece um poço sem fundo. A oscilação recorrente no valor das ações, que ora registram alta meteórica ora quedas dramáticas, é um fato conhecido no mercado. Mas, a situação se agravou no dia 1º de julho, quando a OGX informou o fim de três projetos de exploração de petróleo e sinalizou que está próxima do limite dos recursos do único bloco que produz óleo, Tubarão Azul. O fato não só alarmou investidores como colocou em cheque a continuidade da companhia.

    Diante do silêncio do empresário Eike Batista, que não se pronunciou publicamente sobre os problemas, o El Economista América traz um histórico da OGX para explicar por que as ações da empresa estão derretendo:

    1 - Nascimento da estrela negra: Quando fundou a OGX, Eike Batista já era bilionário e tinha conquistado a fama de "empreendedor dourado" do mercado brasileiro. Com uma história de vida igualmente reluzente desde os 21 anos, idade em que abriu sua primeira empresa para vender ouro, a Autram Aurem, ele escavou rapidamente uma fortuna de bilhões de dólares no ramo de mineração. Até que em 2007 criou a OGX para explorar o "ouro negro". O empreendimento colocou o empresário nas primeiras colocações da lista da Forbes que destaca os homens mais ricos do mundo.

    A OGX adquiriu seus primeiros blocos exploratórios ainda em 2007, quando arrematou 21 lotes na 9ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No ano seguinte, sem ter extraído um único barril, abriu capital em uma oferta inicial de ações na Bovespa (conhecida pelo termo em inglês IPO), que causou alvoroço. Logo nos primeiros minutos de negociação os papéis registraram valorização de 18%, mesmo com preço inicial fixado no teto da faixa prevista. A OGX fechou o primeiro pregão com alta de 8,31% e captação de R$ 6,7 bilhões.

    2 - Caminhos do império: Nos primeiros quatro anos a empresa se empenhou em firmar parcerias com outras companhias do ramo, além de comprar participação em blocos exploratórios. A petrolífera adquiriu lotes na bacia de Campos, Santos e Paraíba. O site da OGX informa que a ela possui hoje 31 blocos localizados em bacias sedimentares do Brasil (26 blocos) e da Colômbia (5 blocos).

    A primeira geração de caixa com extração de petróleo próprio foi realizada em janeiro de 2012 no complexo de Waimea, na bacia de Campos. Depois do pontapé inicial, os investidores ficaram atentos aos relatórios mensais de extração petróleo e gás. Foi aí que a coisa começou a desandar e o sobe e desce das ações se tornou intenso.

    3 - O gosto amargo da expansão: Para bancar projetos caros e novas concessões, a petrolífera pediu empréstimos e emitiu títulos de dívida no exterior. Em 2011 a OGX vendeu títulos de dívida fora do País no valor de US$ 2,563 bilhões. No ano passado, emitiu mais US$ 1,063 bilhão.

    O balanço consolidado da OGX aponta que ela fechou 2012 devendo US$ 4,58 bilhões, porém, analistas apostam que a dívida é bem maior. Nos bastidores do mercado corre a informação de que Eike Batista empenhou ativos de outras companhias pertencentes a holding EBX como garantia de empréstimos não divulgados. O jornal Folha de S.Paulo informou no dia 30 de junho que a petrolífera deve aproximadamente R$ 7,9 bilhões.

    4 - Tempo fechado: O ano de 2013 tem se mostrado extremamente negativo para Eike Batista. A produção da OGX registrou taxas baixas de fluxo em poços iniciais, chamando a atenção das agências de classificação de risco. Em abril, a Moody's rebaixou a classificação da OGX de 'B1' para 'B2' (nota regular que representa risco real de perda). A agência de classificação de risco Standard&Poor's fez um movimento semelhante.

    5 - Depressão e perspectiva de nome sujo na praça: Os rebaixamentos seguidos instauraram uma crise de confiança entre a OGX e seus investidores, mas, a gota d'água da crise partiu da própria companhia, que no primeiro dia de julho divulgou um comunicado ao mercado informando que vai paralisar 3 projetos de exploração, e que a produção de Tubarão Azul pode terminar no próximo ano. A informação deixou os investidores em pânico e fez suas ações despencarem.

    A OGX perdeu 29.11% do valor na segunda-feira (01). Ontem ela perdeu mais 19% e teve a indicação de preço rebaixada por quatro bancos. Bank of America Merrill, Credit Suisse, e Deutsche Bank revisaram o valor médio por ação de R$ 1 para algo entre R$ 0,30 e R$ 0,10. A Moody's e a Standard&Poor's colocaram a OGX em perspectiva negativa. Já a empresa de gestão de risco Kamakura informou que a petrolífera ocupa o terceiro lugar na lista de empresas que apresentam as maiores ameaças de dar calote em seus credores.

    Fora a crise financeira, a OGX também está sendo investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) junto com outras empresas do grupo EBX por suposta falha na divulgação de informações ao mercado. A companhia também terá que explicar para a agência reguladora do setor de petróleo as mudanças no planeamento de exploração de áreas concedidas.


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