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Do banco Santander Select

João Varella - 11:36 - 28/07/2014
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    Emilio_BotinO presidente mundial do Banco Santander, Emilio Botín

    "Eu posso discordar com sua opinião, mas daria minha vida pelo seu direito de dizê-la". O crédito dessa famosa frase é discutível. Atribuída ao filósofo Voltaire por uns e a uma biografa do pensador iluminista, o que interessa é que o axioma condensa de forma esperta alguns valores moderno. Liberdade de expressão se transformou em característica essencial.

    O banco Santander parece ter exercido desse direito. Disse aos seus clientes de alta renda que se Dilma Rousseff for reeleita, o cenário econômico vai piorar. A instituição financeira não é um hospício. Muita gente inteligente no mercado faz esse diagnóstico sim. Não é mera coincidência as reações da Bolsa de Valores sempre que uma pesquisa de intenção de votos é divulgada.

    A nota enviada aos clientes do Santander Select, que atende correntistas de alta renda, não contém nenhum erro em termos de informações do passado. Ao final, apresenta uma projeção. Leia:

    "A economia brasileira continua apresentando baixo crescimento, inflação alta e déficit em conta -corrente. A quebra de confiança e o pessimismo crescente em relação ao Brasil em derrubar ainda mais a popularidade da presidente, que vem caindo nas últimas pesquisas, e que tem contribuído para a subida do Ibovespa. Difícil saber até quando vai durar esse cenário e qual será o desdobramento final de uma queda ainda maior de Dilma Rousseff nas pesquisas. Se a presidente se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas, um cenário de reversão pode surgir. O câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice da Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes. Esse último cenário estaria mais de acordo com a deterioração de nossos fundamentos macroeconômicos".

    Instituições são pagas pelos seus clientes para fazerem essa espécie de previsão do tempo do panorama econômico. Um banco deve orientar seus clientes da maneira que acha correta, doe a quem doer. Algum problema com isso? A nota não muda em absolutamente nada a situação política.

    A opinião ajuda a definir Dilma como a candidata que desagrada o mercado financeiro. A posição faz todo o sentido para o eleitorado da petista. E vice-versa para Aécio Neves, que pode e deve aproveitar a oportunidade. Quem contar melhor essa história ganha alguns pontos na corrida eleitoral. Com uma conduta em cima do muro, Eduardo Campos não faz nada. Só espera que os ventos levem seu barco à vela para algum lugar.

    O Santander saiu dessa pela tangente. A versão oficial é que o comunicado é resultado de uma trapalhada geral. Até o presidente mundial da companhia, Emilio Botín, veio a campo para atribuir a culpa a um analista. Tenho a impressão que um estagiário levará toda a culpa e terá de buscar outro trampo nesta semana.

    O banco anunciou demissões de sabe se lá quantos funcionários. No entanto, é tarde. Outra frase antiga de autoria controversa diz que uma das coisas que nunca voltam atrás é a palavra pronunciada. A situação dúbia pegou mal para o banco em termos de negócios. Cabe à empresa espanhola lidar com isso da maneira mais madura possível, sem meias-palavras, para tentar evitar o máximo de dano à credibilidade que detém.

    João Varella é repórter da revista IstoÉ Dinheiro e fundador da editora Lote 42 e do site Trilhos Urbanos. Escreve semanalmente neste espaço. Este artigo não reflete necessariamente as opiniões do El Economista América.

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