Caso da Petrobras expõe conflitos econômicos entre Brasil e USA

Maria Carolina De Ré - 19:13 - 9/09/2013
comentarios
    tagsMás noticias sobre:
    d635efe.jpgDilma Rousseff, Efe

    Uma reportagem do programa brasileiro Fantástico, que foi ao ar no último domingo (8), mostrou que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) também espiona empresas, entre elas a estatal brasileira Petrobras. A nova denúncia colocou mais tensão nas relações bilaterais de Brasil e EUA.

    Leia aqui a série "De mãos amarradas"

    O Brasil tem armas para reagir a espionagem americana?
    Saída de embaixador americano não deve ser a maior consequência diplomática do caso de espionagem
    Tecnologia da Informação é o calcanhar de Aquiles do Brasil
    Análise: Resta ao mundo se adaptar aos EUA

    Pautada em informações retiradas de documentos vazados por Edward Snowden, a reportagem da TV Globo exibiu um relatório classificado como "ultrasecreto" onde a NSA declarava que tinha conseguido quebrar protocolos de segurança de sistemas fechados  de empresas  para capturar dados classificados como "objetivos econômicos".

    O relatório não explicou o que foi obtido com a "invasão" do sistema da Petrobras, mas o acesso  preocupou o governo brasileiro porque pode prejudicar o leilão das reservas de petróleo do campo de Libra, um das maiores descobertas do pré-sal. Os blocos de Libra devem ser concedidos a exploração da Petrobras e empresas privadas em outubro.

    Além disso, a espionagem também colocou em risco a confidencialidade das tecnologias de exploração desenvolvidas pela petrolífera brasileira, que é líder mundial em extração de óleo em alto mar. O País investiu milhares de dólares nas pesquisas da estatal, e seria muito prejudicado se a tecnologia da Petrobras  fosse pirateada pelo governo americano ou por outras empresas privadas.

    A denúncia também reforçou o "embaraço diplomático" porque veio a público menos de uma semana depois que os americanos declararam numa nota oficial publicada no jornal The Washington Post que seus programas "não faziam espionagem econômica de nenhum tipo, incluindo o monitoramento cibernético".

    Em outra nota publicada pela Reuters no domingo, o diretor do Departamento dos Serviços de Inteligência dos EUA, James R. Clapper, afirmou que "não é segredo para ninguém que o país [EUA] coleta informações sobre questões econômicas e financeiras, especialmente para proteger cidadãos norte-americanos e os interesses dos aliados da nação".

    Hoje Dilma Rousseff frisou, também em nota oficial, que condenava  as ações da NSA: "As tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países aliados, sendo claramente ilegítimas".

    Em outra passagem do comunicado, a presidente declara que o governo brasileiro está empenhado em obter esclarecimentos dos americanos sobre todas as violações eventualmente praticadas, bem como em exigir medidas concretas que afastem em definitivo a possibilidades de espionagem ofensiva aos direitos humanos, à soberania e aos interesses econômicos das companhias brasileiras. "De nossa parte, vamos tomar todas as medidas para proteger o País, o governo e as nossas empresas", enfatizou a nota assinada por Dilma.

    Acordos bilaterais podem ser prejudicados

    Além dos segredos industriais da Petrobras, acordo bilaterais da área da defesa podem ser severamente afetados  pelas denúncias de espionagem. Brasil e Estados Unidos  negociam a venda de caças fabricados pela empresa americana Boeing, além de parcerias estratégicas desta companhia com a Embraer. Tais projetos, segundo a agência de notícias Reuters, estão ameaçados.

    O contrato dos caças iria render aos americanos cerca de US$ 4 bilhões, pagos por 36 aeronaves. Mas, o próprio secretário de Estado americano, John Kerry, já havia anunciado que o tema não seria debatido no encontro de Dilma com Obama em Washington, marcado para o mês de outubro.

    O motivo, segundo uma fonte do governo norte-americano não identificada pela Reuters, é que dificilmente o Brasil faria um contrato para comprar equipamentos militares com um País [EUA] no qual não confia.

    Otras noticias
    Contenido patrocinado

    Comentários 0


    Síguenos en twitter
    Síguenos en Facebook

    Más leidas

    eAm
    Colombia
    Mexico
    Chile
    Argentina
    Peru

    Liga Brasileña 2013-14

    <b>Aprovação do governo Dilma</b> sobe para <b>38,1%</b>, aponta CNT
    La <b>popularidad</b> de <b>Rousseff</b> aumenta un 6,8% tras las últimas medidas tomadas