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João Varella - 18:20 - 8/12/2014
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    Manifestantes acompanharam a sessão para votar proposta que muda o superávit

    ANÁLISE - A presidente Dilma Rousseff enfia uma agulha no cérebro dos ouvintes ao insistir na tese de que a oposição quer um terceiro turno. A oposição está, atenção que isso parece ser uma novidade para a mandatária, fazendo oposição.

    Desde quando é errado pedir impeachment de um presidente? Se houver uma parcela da sociedade insatisfeita com seu presidente, parece aceitável que isso aconteça. De um aspecto técnico, começam a surgir dados que dão conta do uso do caixa da campanha para lavar dinheiro de propina.

    Se isso não é uma base inicial para que se questionar a legitimidade de uma campanha, o que é? Uso de trabalho escravo para distribuir santinhos? Chantagem ou suborno massivo em troca de voto? Se não punirem os crimes menores, não duvido que haja uma escalada das malversações.

    Agora, a entrada do Congresso Nacional foi tomada pelos autodenominados coxinhas - palavra que aos poucos vai deixando de ser pejorativa, um sintoma de força retórica. É mais que legítimo se queixar dessa situação institucional putrefata que o País passa. Antes o mesmo espaço foi ocupado por sem-terra, índios, sindicalistas, etc.. Nada que afete as condições normais de temperatura e pressão de um democracia.

    A novidade é o fato de os protestos terem sido motivados por um assunto para lá de intrincado, a manobra do governo para descumprir a meta fiscal. É absolutamente fundamentado protestar contra a PLN 36/2014 e sua vil vinculação com as emendas parlamentares. Como pontuei na semana passada, a reação costuma surgir quando os atos do governo (de qualquer esfera) atingiam diretamente uma parcela da população, geralmente organizadas em uma associação ou grupo.

    A situação nem quis se explicar. Instituiu a negociata para os parlamentares poderem apadrinhar uma obrinha em seu covil eleitoral sem o menor pudor. Vamos nessa que não dá nada.

    Seria uma bela lição o governo ter de responder à Lei de Responsabilidade Fiscal. Não só ao Planalto. O Brasil não sabe zelar por seu patrimônio público. Todo mundo se acha mais igual que o outro e pede algum tipo de regalia. Se não ganha, chora. Se não pede, pega sem pedir.

    Como o PT teme dizer não a quem pode lhe render votos, chega uma hora que tem de fazer uma manobra, que nesse caso pode atender como sinônimo de malandragem, jeitinho, contabilidade criativa.

    Repassar verba a fundo perdido virou regra - seja nos controles pífios do Bolsa Família ou nas regalias às grandes empresas via BNDES. Quem paga a conta são todos os brasileiros, ou seja, nenhum brasileiro. Projeção séria de retorno ao erário até para continuar financiando as ações, não há. No máximo existe alguma fé.

    É mais ou menos como a atitude com os recursos naturais como a água. Parece um bem infinito, sem dono. Portanto, estamos autorizados a gastar horas em banhos, lavar a calçada diariamente, ser relapso com vazamentos no sistema (como a Sabesp tolera ¼ de desperdício?), sem o menor peso na consciência. É hora de o País acordar para a realidade, ter disciplina, respeitar algumas regras e conhecer os limites, que não tem relação alguma com o comportamento da oposição.

    *****


    João Varella é editor do El Economista América e repórter da revista IstoÉ Dinheiro. Fundou a editora Lote 42 e o site Trilhos Urbanos. É autor de três livros, sendo o mais recente 42 Haicais e 7 Ilustrações. Escreve semanalmente neste espaço. O presente artigo não reflete necessariamente as opiniões do El Economista América.


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