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De polêmica em polêmica, Bolsonaro cresce

João Varella - 19:58 - 15/12/2014
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    jairO deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ)

    ANÁLISE - Em tempos de comunicação massiva e instantânea, parece que um fato da semana passada foi há um ano. Mas os atos do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) não podem passar em brancas nuvens, embora muitas vezes ele tenha se beneficiado das reações contrárias às bobagens que faz e fala.

    Quando deu claras mostras de racismo e homofobia, o debate público não foi enriquecido. Ninguém ganhou nada com isso, exceto pelo próprio deputado.

    Ao comentar suas ações estapafúrdias, uma parcela de pessoas se identifica. Outra parte que não está nem aí para a política, acaba votando no nome mais famoso que vê nos santinhos jogadas na calçada, sem saber os motivos que fazem o político ser conhecido.

    No final das contas, ele ganha força. Neste ano foi reeleito com 464 mil votos e ajudou a eleger um de seus filhos na Câmara, Eduardo Bolsonaro (PSC-SP). Também reelegeu Flávio Bolsonaro (PP-RJ), outro filho, como deputado estadual. Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro há outro herdeiro, Carlos Bolsonaro (PP). O clã está em plena metástase.

    Na última de suas sandices, Jair Bolsonaro foi longe demais. O deputado usou a tribuna para dizer que só não estupraria a colega de Parlamento Maria do Rosário (PT-RS) porque ela ?não merecia?. Em discurso anterior, a deputada havia qualificado a ditadura militar como ?vergonha absoluta?.

    O ataque é reincidente. Há seis anos, chamou a mesma Maria do Rosário de ?vagabunda?.

    É digno que ele defenda suas posições. Inaceitável são suas expressões violentas, eivadas de apologia ao crime e machismo. Deveria ter saído do Plenário algemado. Ao atacar Maria do Rosário, por mais que seja em reação retórica, ele desrespeita todas as brasileiras.

    A tensão de Bolsonaro se deve ao relatório da Comissão Nacional da Verdade, que produziu um documento que deve passar a ser referência histórica sobre o papel da ditadura militar no País. O deputado não pode testemunhar uma crítica a um milico que já perde a compostura. No ano passado, deu um soco no senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) durante uma inspeção no antigo edifício do Doi-Codi no Rio de Janeiro.

    O mais triste: a Câmara não vai cassar o mandato dele (acredite, eu adoraria estar errado nessa). As cadeiras do Congresso são ocupadas por lavadores de dinheiro, assassinos, estupradores, estelionatários? é um verdadeiro passeio pelo Código Penal. As atitudes infelizes de Bolsonaro parecem até troco perto da ficha criminal de certos deputados. Ou seja, não só é provável que Bolsonaro cometerá outras barbaridades, como deverá ficar mais poderoso ainda depois que o fizer.

    *****


    João Varella é editor do El Economista América e repórter da revista IstoÉ Dinheiro. Fundou a editora Lote 42 e o site Trilhos Urbanos. É autor de três livros, sendo o mais recente 42 Haicais e 7 Ilustrações. Escreve semanalmente neste espaço. O presente artigo não reflete necessariamente as opiniões do El Economista América.

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