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João Varella - 12:31 - 27/02/2015
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    cunhaO presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)


    Este é meu último artigo aqui no El Economista América. Durante esta semana, repassei alguns dos textos que publiquei semanalmente neste espaço. Alguns me deixam em franco constrangimento (ao alcance de uma googlada), outros parecem ok. Notei que, com o passar do tempo, o cinismo contaminou a escrita.

    É normal que isso aconteça a qualquer um que acompanhe o insalubre debate público brasileiro. A corrupção é farta e cíclica. Desde as táticas para justificar a malversação até a impunidade ou penas brandas, quem age civilizadamente nesta republiqueta passa recibo de otário. A lei desta selva é a da malandragem com sangue frio.

    O mais claro exemplo disso hoje é Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, o Frank Underwood da vida real. Cumpriu a promessa de campanha e deu benefícios aos colegas como o direito de passar a conta das passagens aéreas dos cônjuges para o contribuinte. As amantes e donos de casas noturnas do Distrito Federal lamentam.

    As regalias custarão mais de R$ 150 milhões por ano do meu, do seu, do nosso dinheiro que mantém aquela neo Versailles chamada Brasília. Paulo Francis era a favor de transformar a cidade numa Las Vegas; sou favorável a um grande parque temático, com montanha-russa inspirada nos gráficos da taxa Selic.

    O montante surrupiado pela Câmara é relativamente pequeno em face do Orçamento Público. Mas o ferimento é maior em razão do exemplo dado, que de forma pragmática desemboca no chamado efeito cascata. As excelências adoram justificar a imperiosa necessidade de sacar mais recurso públicos em face de alguma outra instância que fez o mesmo. Não é preciso de bola de cristal para prever o óbvio: em breve veremos alguma Assembleia Estadual pedindo equiparação à regalia dos deputados. Aí vem um Estado vizinho e faz o mesmo. É cíclico. Já aconteceu antes. A repetição aborrece. Convida para uma postura de desinteresse.

    Para quem vê o poder público como uma entidade só (não é incorreto), é possível inferir que as tungadas da equipe econômica de Dilma Rousseff no bolso do contribuinte por meio de retirada de benefícios e aumento de impostos está sendo dado para vossas excelências. Cunha não perde o sono.

    Quem acha as malversações da política um tema abstrato demais pode testemunhar o obscurantismo e atraso mental do País sendo perpetuado por médicos denunciando pacientes que sofrem consequências de aborto. Ou a crise hídrica que assola uma cidade que concretou e poluiu dezenas de rios.

    Melhor parar, não quero estragar o final de semana do leitor, mas é preciso ser consciente de que as trapalhadas brasileiras são motivo de piada internacional - vide a capa da última edição da The Economist, com uma passista de escola de samba atolado numa gosma verde. Mais adequado seria dar cor azul à substância pastosa em referência à última campeã do carnaval carioca.

    É realmente difícil manter a chama acesa. Para quê se indignar? O lado vencedor é a demagogia canhestra da covarde classe política. O cinismo e o deboche surgem em quem testemunha esses fatos como uma espécie de anticorpos. Afinal, andar no Porche do Eike Batista é fácil, difícil é querer o Ray Ban do Nestor Cerveró.

    Desculpe. Parei.

    *****

    Trabalhei por dois anos no El Economista América com absoluta liberdade editorial. Não tive auxílio de nenhum assistente para escrever os artigos semanais. Qualquer erro é de minha inteira responsabilidade.  

    ******


    João Varella é repórter da revista IstoÉ Dinheiro. Fundou a editora Lote 42 e o site Trilhos Urbanos. É autor de três livros, sendo o mais recente 42 Haicais e 7 Ilustrações. O presente artigo não reflete necessariamente as opiniões do El Economista América.

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