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O Brasil aos lobos

João Varella - 11:32 - 30/12/2014
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    ANÁLISE - Durante as eleições, assisti um espetáculo deprimente de pessoas iludidas com os candidatos. As redes sociais se prestaram bem à discussão política e incentivaram excessos de ataque ao lado oposto e ufanismo ilusório a quem se torcia. Muitas selfies carregadas de ilusão edulcorada.

    Quem o fez pelo lado de Dilma Rousseff deveria considerar seriamente em deletar suas fotos, pois o interlúdio do fim do pleito ao início do segundo mandato é de terror.

    Não que se possa cobrar nada, pois foi eleita sem programa, desobrigada de cumprir coisa alguma, já que não se comprometeu com nada.

    Dilma já havia dito que poderia fazer o diabo para ganhar as eleições e efetivamente o fez. Os pactos com o Belzebu exige leitura das letrinhas miúdas, sob o risco de se perder a alma.

    A presidente, que já falou asneiras estapafúrdias ao prometer uma constituinte da reforma política, voltou a perder o senso ao pedir que o MP desse uma espécie de certidão negativa para seus ministros. Pareceu ser bem intencionada, mas isso é pouco para quem ocupa a carreira da presidência.

    O ex-presidente do STF Joaquim Barbosa sintetizou bem em seu Twitter:

    ? Que degradação institucional! Nossa presidente vai consultar órgão de persecução criminal antes de nomear um membro do seu governo!!! (...) Há sinais claros de que a chefe do Estado brasileiro não dispõe de pessoas minimamente lúcidas para aconselhá-la em situações de crise.

    Outra prova dessa falta de alguém a quem recorrer veio em sua reforma ministerial. A começar pelo governador do Ceará, Cid Gomes (Pros) para o Ministério da Educação. Ele já declarou crer que os professores devem trabalhar por amor e não por dinheiro. Até as pedras sabem, para usar uma expressão cara a Barbosa, que o movimento deve ser contrário. É preciso estabelecer urgentemente um piso salarial nacional digno e atrativo para atrair e reter bons quadros a essa profissão. Vá fazer superávit em outra área.

    Gomes, aliás, não abre mão do próprio salário.

    Por razões diferentes é igualmente lamentável ver o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) e Kátia Abreu (PMDB). Não que sejam tecnicamente ruins para as funções - a Lei Cidade Limpa foi um ato corajoso e benéfico de Kassab, Kátia se opõe ao megadoador de campanha JBS. O terrível é colocar pessoas que até ontem eram críticos agudos do governo. Parece que ninguém tem coluna vertebral em Brasília.

    Não quero aborrecer o leitor com esse passeio pelos escalados, mas não posso deixar de mencionar a ida de Helder Barbalho (PMDB), filho de Jader Barbalho (PMDB), para a pasta da Pesca e Aquicultura. Para quem não conhece o líder do clã Barbalho, sugiro googlar ?jader barbalho sudam?. Como filho de peixe, peixinho é, vale o clique pesquisar a omissão de R$ 434 mil de Helder na declaração de bens à Justiça Eleitoral.

    Foi surpresa essa entrega do País aos lobos? Só para quem tem memória curta e não lembra como o setor elétrico foi entregue a Edson Lobão (PMDB). Há seis anos, passou a liderar o Ministério de Minas e Energia. Ao ser nomeado, admitiu que não sabia nada do assunto. Para a tranquilidade geral da nação, prometeu ler. Os estudos de Lobão foram insuficientes para brecar a derrocada de Eletrobras e Petrobras.

    Como se tivesse um time vencedor, daqueles que convém não mexer, Dilma resolveu injetar mais PMDB na infraestrutura e setor elétrico. Portos e Aviação Civil ficaram na mão de indicados do vice-presidente, Michel Temer. Ah, ela também renovou o controle do partido em Minas e Energia com o senador Eduardo Braga.

    Em suma, foi o pior presente de Natal da história brasileira. Não há nem nunca houve contexto que nos permita sonhar com a classe política. Fica a dica para as eleições de 2016, já que 2015 será o que Deus quiser.

    *****


    João Varella é editor do El Economista América e repórter da revista IstoÉ Dinheiro. Fundou a editora Lote 42 e o site Trilhos Urbanos. É autor de três livros, sendo o mais recente 42 Haicais e 7 Ilustrações. Escreve semanalmente neste espaço. O presente artigo não reflete necessariamente as opiniões do El Economista América.

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