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Marco Archer morreu. E agora?

João Varella - 11:54 - 19/01/2015
1 comentario
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    curuminMarco Archer, o primeiro brasileiro a receber pena de morte

    Nunca fui para a Indonésia nem conheço ninguém que tenha ido, mas aposto que a cocaína vale uma nota por lá. Marco Archer, conhecido como Curumin, o brasileiro condenado a pena de morte por ter tentado entrar no país com 13 quilos da substância, provavelmente ganharia um bom dinheiro caso não tivesse sido pego na máquina de raios x. Ambicionou demais.

    O tráfico promete (e muitas vezes cumpre) grana fácil. Trabalha com um produto fácil de estocar e transportar que vai eternamente valer muito enquanto tiver gente disposta a pagar, por mais pesada que seja a proibição. A grama do pó branco vale mais que ouro, dependendo do lugar.

    Do ponto de vista jurídico e diplomático, parece que a condenação de Marco Archer Cardoso Moreira esteve dentro das regras da Indonésia e do que se espera em termos diplomáticos. O holandês Ang Kiem Soei foi executado junto com o brasileiro por razão similar.

    Por questão de soberania, Brasil e Holanda não tinham muito o que fazer para evitar as execuções. Digo isso apesar de discordar do mérito. Caso fosse governador do planeta (vou me candidatar em 2016), jamais mataria alguém por causa disso. Se uma pessoa detém conhecimento suficiente para saber que está se matando pelo nariz, não vejo razão para impedir. O poder público deveria avisar e lavar as mãos diante daqueles que querem seguir em frente e continuar comprando o entorpecente.

    Fuzilar uma pessoa é uma forma de o Estado dar uma mensagem, principalmente para sua população e dos países de origem dos condenados. Ato contínuo, algumas pessoas ficam desestimuladas em praticar esse tipo de crime. Seja lá quem estivesse esperando para receber a cocaína de Marco Archer, esse alguém vai demorar a encontrar uma nova mula (apelido para quem leva o produto) no Brasil, por exemplo.

    Menos gente, maior a recompensa para quem topar, mais caro fica para o consumidor. A lei da oferta e demanda reina no submundo também. Com as coisas mais calmas, baixa o preço de novo.

    Diante de um mundo cada vez mais globalizado, com a passagem de fronteiras de um país a outro ficando cada vez mais fácil, é difícil evitar que um sujeito experimente e goste de psicotrópicos em uma região de fiscalização mais leniente.

    O assunto é espinhoso. Conheço pessoas que tem um uso casual de pó e parecem desfrutar. Alguns dos artistas mais importantes das últimas décadas faziam uso. Para ficar só no jazz: Miles Davis, Bill Evans, Roy Hargrove e melhor parar porque essa lista vai longe.

    Muitos gênios perderam a vida por consumir a chamada farinha também. E tem gente que fica com sequela para o resto da vida ou que se perde numa espiral de vício avassaladora.

    Com a iminente legalização da maconha (uma erva natural muito mais amena que os efeitos colaterais do tabaco, diga-se), vai chegar a hora de se debater o que fazer com a cocaína.

    Tratar como uma guerra parece não ter gerado muitos efeitos além de milhares de mortos, sendo um instrutor de voo brasileiro uma das mais recentes vítimas. Os cadáveres são circundados por famílias destroçadas, usuários endividados e desesperados, barões do mercado negro faturando milhões, governos gastando bilhões. Essa política é um fracasso.

    Lidar com a cocaína como se fosse um tabu, simplificando a questão como uma coisa ruim que deve ser combatida a todo custo é perda de tempo e dinheiro.

    Não sei qual é a resposta e dificilmente teremos uma solução simples para o tema. Tenho convicção de que o caminho para evoluirmos é com conversas abertas - até para informar todos os envolvidos na cadeia, do produtor ao consumidor. É desejável um diálogo claro, sem preconceitos e com coragem de mudar alguns preceitos seculares.

    *****


    João Varella é editor do El Economista América e repórter da revista IstoÉ Dinheiro. Fundou a editora Lote 42 e o site Trilhos Urbanos. É autor de três livros, sendo o mais recente 42 Haicais e 7 Ilustrações. Escreve semanalmente neste espaço. O presente artigo não reflete necessariamente as opiniões do El Economista América.

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    Comentários 1

    1
    joao luiz santos aquirres
    20-01-2015 / 15:19
    Puntuación 0   A Favor   En Contra

    nos aqui no brasil se copiarmos, nao teriamos, tanto crimes por causa do traficos. ja que o brasil copia tantas coisas de fora, a maioria ér uma m.

    abraços. tio joao


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