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Por um retorno do etanol [Artigo]

João Varella - 14:22 - 25/12/2013
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    Nada de devaneios à Mantega diante da obrigatoriedade dos freios ABS e de airbag nos carros novos

    Lula usou o boné do etanol no começo de seu governo. Com ele veio a defesa de uma fonte energética sustentável, mais limpa que a gasolina e apoiada na produção nacional de cana. Com a descoberta do pré-sal, o chapéu verde foi substituído por um turbante típico dos xeiques do petróleo do Oriente Médio. Com essa nova prioridade, a Petrobras virou peça central. De administração mista, cabe a empresa zelar agradar investidores e governo. É muito.

    Na ronha da fórmula de aumento para a gasolina ficou claro o conflito de interesses. Já de saco cheio com o mau desempenho da empresa, o mercado gritou (com razão) ao não ter uma fórmula de aumento clara para o combustível. Fazer as coisas às portas fechadas é um jeito de o governo continuar fazendo o que bem entende. A cara de paisagem do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também ocupa a cadeira de presidente do conselho de administração ilustra bem a situação (aliás: pede para sair, meu chapa).

    Em março, a Petrobras divulgou seu Plano de Negócios e Gestão (PNG) 2013-2017, com investimentos no total de US$ 236,7 bilhões. Preservar esse compromisso é importantíssimo. É um sinal de seriedade da empresa e que o governo está dando condições para a Petrobras crescer. Para deixar a pista limpa para isso, é hora de a Petrobras em 2014 perder um pouco desse protagonismo na estratégia governamental. O caro leitor que chegou até aqui e pensou em privatização deve voltar ao início do tabuleiro - isso não vai rolar e você deveria estar comemorando isso.

    Um plano a longo prazo para tirar da Petrobras o papel de peça-chave para manter a inflação na meta é voltar a conversar com o pessoal do etanol. O País tem uma frota relevante de veículos flex. Para quem não tem carro que roda com etanol, é um belo incentivo para a troca do carro. As montadoras (que o governo ama tanto) estariam felizes em atender essa demanda. A poluição diminuiria, o que é sempre bom.

    O transporte coletivo não poderia ser esquecido. A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, já declarou amar congestionamentos. É possivelmente a única pessoa no País a ter esse sentimento. O incentivo de troca para a matriz do álcool também vale para os veículos que hoje rodam com diesel. O ritmo de adoção seria obviamente menor do que com os veículos de passeio, mas já é possível se mexer. Cidades como São Paulo têm parte da sua frota de ônibus movida com etanol. A parcela, no entanto, é pequena demais para aguentar um aumento do diesel de uma hora para a outra. Seria necessário um planejamento a longo prazo. De preferência, cumprido ao pé da letra, sem titubeios. Nada de devaneios à Mantega diante da obrigatoriedade dos freios ABS e de airbag nos carros novos (pede para sair, cara).

    Mas não há sinais de isso estar nos planos do governo. A partir do ano que vem, os carros terão um aumento de escalonado de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Os flex só foram beneficiados nos modelos motor de 1.0 a 2.0 com um ponto percentual a menos que os veículos movidos a gasolina. No preço final de um veículo de R$ 30 mil, esse ponto percentual representa apenas R$ 330. Um trocado que dificilmente demove alguém de comprar um veículo ou outro.

    Os caminhões estão isentos. Por que não isentar somente os movidos a etanol? A Scania, por exemplo, já forneceu carretas assim a empresas do Brasil. No mais, seria um belo incentivo para o desenvolvimento da tecnologia. A mais recente Pesquisa de Inovação (Pintec) do IBGE mostra que a nossa indústria investe pouco em produtos novos e originais. Qualquer empurrãzinho ajuda. Até isenção de impostos privilegiados para produtos feitos depois de investimento em pesquisa e desenvolvimento.

    O nó desse retorno está nas usinas. Esse pessoal já deu desgostos históricos ao governo. Qualquer oscilação internacional no preço do álcool ou do açúcar basta para causar dores de cabeça para todo mundo. Há em Brasília milhares de burocratas e centenas de legisladores capazes de propor uma regra que não coloque a sociedade como refém das usinas. Acho que não é pedir muito dessa galera que mama no dinheiro dos bolsos dos brasileiros.

    João Varella é jornalista do El Economista América. As opiniões aqui expressadas não refletem necessariamente as opiniões do portal.


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