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Análise: Eike é muita espuma para pouco impacto

João Varella - 1:01 - 4/11/2013
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    O empresário Eike Batista gosta de chamar a atenção

    A derrocada de Eike Batista é trágica. Há um enredo quase de um folhetim na queda da OGX. A imprensa de economia tratou de aumentar essa sensação ao cobrir o caso tal qual as revistas de celebridade fazem com as telenovelas. Mas a derrocada do empresário é um drama menos importante do que parece. É mais interesse do público do que interesse público.

    A sensação de que Eike é figura-chave da economia brasileira vem da própria atitude do empresário. Apaixonado por holofotes, se envolveu com uma atriz global que desfilou no Rio de Janeiro com uma coleira com seu nome. Dizia que o Twitter era sua caneta e promoveu uma campanha para chegar a 1 milhão de seguidores. Não escondia o desejo de se tornar o homem mais rico do mundo. Seu filho Thor Batista virou diretor da EBX sem ter lido um livro por inteiro e matou um ciclista atropelado.

    Alguém aí já viu Jorge Gerdau e seus parentes envolvidos em histórias desse naipe? Até mesmo a família Salles, do Unibanco-Itaú, que é envolvida com arte, tem uma atuação mais discreta.

    O circo é chamativo. Ajudou a seduzir investidores, que estão naturalmente decepcionados. A ação da OGX bateram em R$ 23,27 em 2010 e saíram da Bolsa valendo R$ 0,14, menos que um chiclete Ploc. Até a presidente Dilma Rousseff, que o chamou de "orgulho do Brasil" caiu na lábia do showman. Claro que ele é mais do que fumaça e jogo de espelhos. É um empreendedor capacitado, com um belo histórico de vitórias. Só que esse lado fica soterrado pelo espetáculo.

    Felizmente, Brasil não corre um risco endêmico pela queda de Eike. O baque é no bolso dele e dos fundos de investimento que apostaram na ideia. O patrimônio de Eike minguou em um ano e oito meses de US$ 34 bilhões para estimados US$ 73,7 milhões. A aposta foi alta e falhou. Paciência.

    É bom para o Brasil se acostumar com o jogo capitalismo. Obviedade: empresas podem falhar. Em tempos de empresários com fã-clube, é bom relembrar uma coisa ou outra da cartilha do óbvio ululante.


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